domingo, 30 de Novembro de 2008

A farda de marujo !

Amigo Carlos
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Li o teu artigo àcerca da nossa farda. Num aspecto tens toda razão, porque não é bonita realmente. Mas não esqueças que algum crédito é-lhe devido. Repara que é uma farda práticamente de todas marinhas do mundo, por conseguinte tem um “status” excepcional, na cena internacional! Quantos filmes não foram feitos onde os carácteres principais eram/são marujos como nós. Não esquecer o simbolismo que ela representa!... Foram séculos de evolução, tudo talvez tenha o seu “purpose”. Calças largas para se poderem despir mais rápido; cinto ajustável a todas as barrigas, em especial às boémicas, riscas no alcache simbolizando vitórias do almirante Nelson, etc., etc... No fundo o mais importante era quem a usava! Aos olhos do mundo, era aquele marujo, jovem, viril, ancioso por um pouco de liberdade. Jovem, esperado e desejado, muito em especial pelas mulheres do crime, como alguém dissera, em milhares de cais de todo o mundo! Muitas vezes levados pela excitação do momento, fizeram coisas menos boas!... Tudo isto faz lembrar quando, em Lourenço Marques, mais precisamente perto do Alto Mahé, nós no nosso auto carro, eram as pretinhas no passeio junto à estrada braços no ar saltitando, cantando e recitando versos, tais como alguém já mencionou antes:
Marinheiro, cata mina.
Cata mina marinheiro.
Marinheiro passa cheque.
Cata mina não dá dinheiro!
Será mesmo simbolismo Carlos?
Escreveu
Leiria

sábado, 29 de Novembro de 2008

Relembrando o "Peniche"!

Hoje, Filhos da Escola, vamos relembrar o Peniche, mais conhecido por “Fragata” porque segundo o que o Carlos afirmou, foi um dos que veio da Fragata D. Fernando. Este rapaz foi /é (?) um aventureiro tipo Fernão Mendes Pinto, que andou lá pelo Oriente. Só que o nosso escola, não foi vendido como ele desassete vezes como escravo... Rapaz cheio de tribulações a que eu não vou referir, por limitação de dados concretos meus. Ficará isto pois, a cargo de alguém, conhecedor das peripécias deste aventureiro. Venho a encontrar o Peniche por casualidade, cá em Toronto por volta de 1973. Encontro-o um rapaz diferente, cheio de coragem, entusiasmado, muito em especial notei nele uma vontade férrea em formar família. Pois segundo me disse, tinha casado e morava na cidade de Windsor, cidade frontal à cidade dos carros nos EUA- Detroit. Falamos sobre a peripécia de que mais a baixo descrevo, onde ele comprovou, e muito mais... Depois disso nunca mais vi este camarada, só sei que muitas, mas não boas, aventuras continuam a assolar este nosso colega!...
Vamos pois à peripécia:
O Peniche e aquele sargento, a que me referi no artigo anterior, que todos conhecem (não mensiono nome por consideração a membro de família), eram como cão e gato! Lembro-me um dia, quando, ao encherem-se de razões o brutamontes estatelou o Escola no chão, de barriga para o ar com um joelho no peito, berrando que fazia e acontecia se este não mudasse de atitude etc. etc... Uma posição horrivelmente humilhante, de fazer qualquer um de nós perder a cabeça. Mas por ordem do destino, o nosso Peniche fez de fascina por uns tempos na messe dos sargentos. Certo dia, este camarada serve vinho ao tal dito, e este, complicando que o vinho não era do mesmo do dia anterior, e que trouxesse igual, ameaçando que o endireitava duma vez para sempre... O nosso Peniche não está com meias medidas, vai direitinho à dispensa do vinho, enche outro copo do mesmo vinho, manda-lhe duas cuspidélas, meche-o, e vai entregá-lo à peste, e este exclama ! -“Este é que é bom! Até parece espumante lá do norte!” O Peniche para com ele... “toma que é para aprenderes... meu isto... meu aqui-lo”... Pena é que esta passagem tenha uma conotação tão negativa, mas são realidades às quais, jamais podemos fuguir. Peniche, oxalá a sorte te bafeje agora, porque no fundo fostes, és e serás sempre Filho da Escola. Bem-hajas.
Escreveu.
Leiria (15683)

As fotos que faltavam!

Como o prometido é devido, aqui estão as duas fotos que consegui recuperar do Jordão para ilustrar o evento. É pouco, mas é do coração. Quando recuperar todas as outras e se tiver alguma que valha a pena aqui a deixarei também com toda a certeza. Como se pode ver pelas expressões de felicidade dos que brindam, toda a gente ficou satisfeita com este breve encontro. Resta-me desejar que haja mais oportunidades como esta.


O Testo, O Prato, essa coisa feia...

Se havia uma coisa, na Marinha, que eu odiava era o boné. Chamávamos-lhe «Testo», «Prato» e outras coisas que agora já não recordo, mas lá que ficava mal na cabeça da marujada, isso é que ficava. Tanto os oficiais como os sargentos usavam um boné de pala, comum a quase todas as forças militares do mundo inteiro. Era esse que deveríamos usar também, a exemplo do que acontece com os fuzileiros americanos. Mas neste país desgraçado em que a importância das pessoas se mede por títulos e fardas isso nunca seria possível. Por mais alterações ao fardamento que fossem solicitadas nunca se conseguiria resolver esse problema, pois todas esbarravam na recusa de os oficiais partilharem uma farda que se assemelhasse muito à das praças. E então, toca a vestir umas calças de alçapão, um blusão só com um buraco para enfiar a cabeça e terminar encimando o espantalho com um «prato» branco que nos fazia parecer ridículos, só para manter a distância e a diferença. Para eles, os senhores, os «Dolmans» cortados por medida e os dourados, nos punhos, nos ombros e no boné, para nós, a ralé, uma albarda mal amanhada para nos manter a uma distância conveniente.
Tinha tanta raiva daquela farda mal alinhavada que mal saí da Marinha me desfiz dela da maneira mais radical que arranjei. Apanhei, em Santa Apolónia, o comboio para o Porto. Enfiei-me na casa de banho para trocar a farda por umas calças e camisa civis que tinha comprado. A primeira peça a desaprecer da minha vida foi o odiado boné. Abri a janelinha do comboio, retirei a fita da Armada que guardei durante muitos anos e arremessei o «prato» para o meio da lezíria ribatejana. O resto da farda seguiu o mesmo destino. Não desapertei um botão, nem desatei nenhum nó, limitei-me a deitar as mãos ás aberturas e puxei até rasgar tudo e enfiar pela janela fora. E vi-me assim livre daquela vida de subserviência de uma vez por todas. Dizer «sim senhor» e baixar a cabeça quando me apetecia dizer «não senhor, o senhor está errado» tinha acabado para mim naquele dia 20 de Maio de 1968. Fardas e regulamentos militares nunca mais!
Podem ver abaixo duas fotografias exemplificativas. A primeira cheia de cromos de boné branco e a segunda com um gupo de jovens (em cabelo) bem parecidos e bem dispostos que até dá inveja!


Festividades na Machava

Para nos inserirmos na sociedade civil e participarmos na vida comunitária éramos, de vez em quando, solicitados para funções como as que estas fotos documentam. Nada de mais e havia muitos dos nossos camaradas que gostavam destas coisas. Aqui podemos ver o Zé Manel Matos a conduzir o jeep que carregava o andor da «Sagrada Família» na procissão religiosa das festas anuais da Machava, que era a nossa paróquia.
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Os repetentes

Como tinha prometido, vou hoje falar um pouco dos camaradas da CF2 que me acompanharam numa 2ª comissão em Moçambique. Um total de cinco anos vividos em conjunto têm, por força das circunstâncias, que deixar recordações profundas na nossa memória.
Fui verificar os documentos e, para minha grande surpresa, o 1º repetente é o sargento Veloso. Confesso que me não lembrava disso. Tenho feito um enorme exercício mental para recordar as suas feições e nada. Dei mais uma volta pelas fotografias e não encontrei nenhuma cara que me fizesse gritar «eureka». Por várias razões, já aqui explicadas, nunca me empenhei muito a sério para encontrar os oficiais e sargentos da nossa companhia. Vou fazer uma correcção de rumo e pôr o nome do Sargento Veloso na minha lista de prioridades.
Os outros repetentes dividem-se em dois grupos. O primeiro é composto por 3 filhos da escola de setembro de 1961, o Barbosa, o Silveira e o Zé Marcelino que, como não podia deixar de ser, responderam «pronto», no nosso 1º encontro, em setembro passado. O segundo grupo é composto por 10 filhos da escola de março de 1962, cujos números e nomes publico a seguir, com indicação das situações aplicaveis:
16282 - Budens (Não compareceu)
16395 - Paixão (Compareceu)
16421 - Alturas (Compareceu)
16429 - Carlos (Organizou e compareceu)
16451 - Valter (Compareceu)
16532 - Ferreiro (Não compareceu)
16758 - Sabugal (Não compareceu)
16795 - Licínio (Não compareceu)
16859 - Presunto (Falecido)
17007 - Enteiriço (Compareceu)
Dos cinco que não compareceram só o Licínio apresentou uma razão válida para a falta, para além do Presunto que manteremos sempre na nossa memória. Os outros invocaram razões mais ou menos aceitáveis, como a distância, a saúde, outros compromissos, etc.. Resta-me a esperança de os fazer comparecer num próximo encontro.

sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Sem palavras!


quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

As fotos do Gomes

Durante o nosso recente encontro recebi das mãos do «mais antigo» algumas fotos que aqui vos trago hoje. Algumas das caras que aqui aparecem estão a ser vistas pela primeira vez. Só isso já vale muito.

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Imagem clara dos 4 primeiros. Milheiro e Vieira, á esquerda e Baía e Matos, á direita.

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O Boticas, em pé ao fundo, tem tanto cabelo agora como então.

...oOo... Além do Gomes, Boticas e Lúcio não reconheço mais ninguém.

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Encontro familiar, com mulheres, crianças, cães, etc. não falta nada!



quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

As fotos do Pintado

Quando nos encontramos, no passado sábado, o Pintado perguntou-me se tinha recebido as suas fotos, pois ainda não tinha visto nenhuma no blog. Ele tem razão, mas como as recebi 2 ou 3 dias de viajar, não houve tempo de as preparar. É sempre preciso recortá-las, redimensioná-las e catalogá-las e só depois estão prontas para entrar no mundo da internet. Pois aqui vão as primeiras, onde basicamente só ele aparece, mais tarde publicarei outras com grupos de camaradas. Aliás, gostava de perguntar se alguém reconhece o de fato-macaco, á esquerda, na 4ª foto. Á direita todos reconhecerão, com certeza, o Puto. O Barbudo da última é o Ai-Cone, claro.




Almoço no Barreiro

Há muito que planeava juntar a malta do Barreiro num almoço-convívio, mesmo à porta de sua casa, para não arranjarem uma desculpa e faltar. Não correu lá muito bem! Era um grupo pequeno e apareceram aqueles que sempre têm aparecido nos encontros anuais. O Jordão que é um novato nestas andanças, pois só regressou do Luxemburgo há poucos meses, serviu-me de muleta para levar a cabo a organização. Trouxemos ao encontro o nosso manobra e moço do paiol, Joaquim Gomes, a quem localizamos a morar no Barreiro, há ainda pouco tempo e que ficou todo contente com a festa que lhe fizemos todos. Afinal a antiguidade é um posto e ele era o 2º mais velho, depois do Sargento Parreira. Contou-nos as suas aventuras e rimos com algumas peripécias que relatou. Aquela de o nosso comandante lhe ter ordenado que fosse dar uma bilha de «água de Lisboa» aos negros que andavam à volta dos arames farpados (para fazer psico, claro) e ele, no dia seguinte ter apresentado ao comandante o respectivo vale para assinar, foi demais! O comandante ficou furioso com ele e o pobre do Gomes só queria que não o responsabilizassem pela falta do vinho, mais tarde. Ou a outra de o Marinheiro Lúcio ter feito um escala de medição do vinho, quando se abria o barril. Depois de cortar uma vara com o comprimento certo, foi enchendo o barril com 5 litros de água de cada vez, enfiando a vara lá dentro e fazendo um pequeno corte com a sua navalha da ordem, no sítio em que a vara aparecia molhada. Assim construiu uma escala de 20 x 5 = 100 litros para apontar as faltas de vinho nos barris que tendo viajado desde Lisboa de barco, e permanecido em cima do cais, sabe Deus quantos dias, tanto em Lisboa como em Lourenço Marques, sujeitos a temperaturas inconstantes, nunca chegavam ao seu destino com os 100 litros originais.
Essa foi a parte que correu bem. Embora os tenha contactado não consegui que aparecessem, cada um apresentou a sua desculpa, nem o Ferreiro, nem o Toucinho, nem o Veiga, nem o Rego. Até o Pintado apareceu só no fim do almoço para a confraternização da tarde. O Sabugal que nos esquecemos de convidar, mas que também duvido que tivesse aceitado, apanhámo-lo em casa e sempre deu para uma sessão fotográfica, para os meus arquivos. E claro não faltaram os infectíveis de sempre, o Elvas, o Alves, o Monteiro e o Bento. O Licínio apareceu para o café, pois tinha marcado um almoço de negócios a que não podia faltar. Não tenho nenhuma fotografia do evento pois ficaram esquecidas na máquina do Jordão, mas a seu tempo aqui aparecerão.

Histórias do Mateus


Acabei de receber do Manuel Ladeira, por e.mail, uma mensagem da qual quero extrair um pequeno trecho para vos deixar aqui. Reza assim:

Recordo com saudade as vezes em saimos juntos. Por exemplo, de uma vez em que, na Beira, os dois resolvemos ir rondar um parque de campismo, fora da cidade, onde sabiamos estarem alojadas "bifas" da África do Sul. No regresso da incursão (não me recordo se proveitosa ou não) utilizamos o meio de transporte da época (a boleia). O Mateus, sempre alegre e folgasão, quando os carros dos "coca colas" , simpaticamente, paravam para nos dar boleia, perguntava se a viatura tinha rádio, e, porque, de uma maneira geral não tinham, agradecia e recusava a oferta. Escusado será dizer que, a cada cena destas, os incredulos e furiosos condutores arrancavam a grande velocidade e nós rebolavamo-nos a rir.

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

O Conquistador











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Assim era conhecido o nosso camarada Tony Trincão (16854). No passado domingo, depois de reconfortado o estômago com a famosa «Sopa de Pedra» de Almeirim, rumei á Golegã, terra onde ele mora. Ao tirar o azimute de Almeirim para o Porto, reparei que esta vila fica mesmo no caminho, desde que não se opte pela auto-estrada. Não poderia em caso algum perder a oportunidade de o visitar, mais a mais conhecendo a sua condição de inválido. E precisava também de dar uma espiadela nas suas fotos, para ver se lá encontrava algumas caras conhecidas e que me faltam ainda nos meus ficheiros. Seleccionei uma dúzia que ele gentilmente me cedeu para publicação nestas páginas. A grande maioria das fotografias que tive a oportunidade de ver, referem-se à comissão da CF8. Sinceramente não me lembrava de ele ter feito parte dessa companhia. Numa próxima mensagem publicarei uma lista dos membros da CF2 que repetiram comigo a comissão na CF8, para que não fiquem dúvidas. De qualquer modo as caras que aparecem nas fotos que aqui terão a oportunidade de ver, são (quase) sempre comuns ás duas companhias, não criando portanto qualquer problema.
Como puderam verificar durante o encontro de 13 de setembro, o Conquistador está fisicamente muito diminuido devido ao AVC que sofreu, há já alguns anos. Precisa, por isso, de todo o nosso apoio para o ajudar a ir vivendo o melhor que for possível. Eu farei a minha parte e conto com todos aqueles que vivem nas proximidades da sua residência para lhe irem fazendo uma visitinha, de vez em quando, ajudando-o a passar o tempo com um pouco menos de monotonia.

A Marcha do Tempo - O Leiria


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Para este nosso camarada da CF2 parece que o tempo não passou! Nesta imagem parece não ter mais que 40 ou 45 anos! Comparado com outros que estão a cair aos bocados o nosso Leiria está um jovem. Sim senhor, gostei de ver!

Apelo do Rafael

Recebi hoje por e.mail esta carta do Rafael, com pedido de publicação imediata neste blog.
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Caros Filhos da Escola.

Alguns de nós vivemos uma infância nas aldeolas mais recônditas deste pequeno Rectângulo Luso. Logo que atingimos a maioridade, fomos chamados a cumprir o serviço militar, que naquela época era exigido a todos os cidadãos masculinos, desde que tivessem condições, segundo o Indice de Pignet.
Naquele tempo, a maioria dos jovens gostavam de prestar o serviço militar porque era um sinónimo de robustez e virilidade. Além disso, tinham a possibilidade de conhecer as grandes cidades e despertarem para novos horizontes.
Também uma grande parte dos jovens nesse tempo desejava cumprir o serviço militar obrigatório na Marinha de Guerra. Por ser o ramo das Forças Armadas que tinha a farda mais bonita e por lhes dar a possibilidade de conhecer outras paragens além fronteiras.
Em Março de 1962, depois de sermos submetidos a novas inspecções fomos admitidos na Marinha de Guerra como simples praças. Depois da criação da especialidade de fuzileiros, os mancebos que assentaram praça, passaram a ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que iam para as outras especialidades, fizeram a recruta em Vila franca de Xira, aqueles que se destinavam ao Corpo de Fuzileiros faziam a recruta na Escola de Fuzileiros.
A recruta para os fuzileiros era muito mais difícil em termos de resistência física, dado o elevado grau de sacrifícios que era exigível para se pertencer a este Corpo Anfíbio de Elite. Quando o sofrimento é grande para se vencerem todos os obstáculos nas provas e nos cursos, há sempre uma entreajuda entre os camaradas. Essa vivência difícil gera amizades duradouras para além do tempo militar.
A criação dos Fuzileiros no princípio dos anos 60 do século passado, veio dar um grande contributo para a Marinha de Guerra Portuguesa, de modo a ter uma participação activa na guerra de guerrilhas que foi movida a Portugal pelos indígenas independentistas das ex-colónias portuguesas. Se não fossem os Fuzileiros, a Marinha não teria mais que uma acção passiva neste período bélico, limitar-se-ia a acções de logística e transporte de pessoal, via fluvial ou marítima.
Os primeiros fuzileiros, que pisaram o território d e Moçambique, foram os Filhos da Escola que pertenceram à primeira Companhia Nº2 de Fuzileiros. A sua presença nesta terra foi bem assinalada, dadas as suas acções defensivas e pelos trabalhos que fizeram em prol do prestígio da Pátria Portuguesa e para bem do povo moçambicano.
A vida em comum durante dois anos e meio em Moçambique na Companhia Nº2 veio reforçar o conhecimento e a amizade que já existia da recruta e do ITE. Quando o perigo espreita em qualquer canto e só podemos contar com a nossa união e o nosso poder defensivo, é nestas alturas que se criam fortes laços de amizade que só a morte faz esquecer.
Já passou quase meio século que estivemos em Moçambique, a amizade e estima que os Filhos da Escola têm uns pelos outros ainda perdura, apesar ter seguido cada um o seu destino com poucos contactos entre nós. Todos nós já atingimos a Terceira Idade, nível etário em que o declínio e as patologias começam a manifestar-se. Por isso, Filhos da Escola, devíamos conviver mais amiúde com almoços de confraternização, a fim de relembrarmos o tempo da nossa juventude como fuzileiros aproveitando os derradeiros anos de lucidez, uma vez que actualmente já estamos todos reformados e com as nossas proles arrumadas.
Vamos reavivar o nosso passado para refrescarmos os episódios mais adormecidos na nossa memória. Não vamos deixar morrer esta iniciativa de convívio impregnada pelo nosso camarada ideólogo, intelectual e filantropo Manuel Alves da Silva, mais conhecido pelo pseudónimo de Carlos ou Twenty Nine.
Este Filho da Escola tem percorrido centenas de quilómetros, enviou dezenas de cartas e fez milhares de telefonemas na tentativa de unir todos os Filhos da Escola da Cf2.
Deixai-vos contagiar pela dinâmica deste leader, que embora não tenha seguido a carreira na Marinha, tinha óptimas condições de liderança para ser um grande chefe militar.

Rafael Coelho de Sousa
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Samora Correia, Benavente e Almeirim

No regresso a casa decidi passar por Almeirim, para ver se adiantava alguma coisa nas pesquisas sobre o 16358. Como tinha pernoitado em Coina, em casa de um amigo, não seria um grande desvio da minha rota. Como já tinha feito uma vintena de telefonemas exploratórios e me tinham dito que a zona de Samora Correia era um viveiro de «Cações», nome que é também o deste nosso camarada desaparecido, para lá me dirigi em primeiro lugar. Dirigi-me ao cemitério da vila e, percorrendo campa por campa, não encontrei um único Cação que lá estivesse sepultado. Fiz umas quantas perguntas, a pessoas que por lá andavam a cuidar das sepulturas e disseram-me que era melhor procurar em Benavente, pois ali não conheciam (e quase me garantiam que não viva naquela terra) nenhuma família com esse nome. Aliás, houve mesmo um homem que me recomendou que procurasse, em Benavente, um tal Domingos Cação, o qual me poderia ajudar nas minhas pesquisas. Demorei quase duas horas a localizar o homem, mas finalmente estava frente a frente com ele. Tinham-me dito que ele também tinha prestado serviço na Armada e isso tinha-me deixado cheio de esperanças. Tudo o que queria era localizar um irmão ou primo do 16358 que me levasse a alguém que me pudesse dar notícias dele. O meu primeiro azar foi que o Domingos era surdo como uma porta e foi-me muito difícil manter a conversação com ele. Mas lá me foi dizendo que tinha quase a certeza que em Benavente não havia nenhum Cação que tivesse estado na Marinha. Que talvez em Foros de Salvaterra tivesse mais sorte pois era dessa zona que provinham todos os Cações, segundo se dizia. Parece que o nome «Cação» é originário de Aveiro e se radicou naquelas paragens desde que um dos nossos reis trouxe de Aveiro uma quantidade de emigrantes para trabalhar a terra, atribuindo a cada um deles um foro (direito de exploração de um pedaço de terra) que no seu conjunto acabou por dar o nome à terra - Foros. Como o tempo já me escasseava e as esperanças se iam reduzindo, decidi não ir até Salvaterra e rumei a Almeirim. Fiz algumas perguntas sobre o nome Cação, mas não encontrei ninguém que se recordasse de alguma família com esse nome. Eram horas da paparoca, fui comer uma sopinha de pedra (aproveitando o facto de estar na terra dela), enquanto fazia a agenda para a tarde e terminada a refeição pus-me de novo a caminho.

Em baixo de forma!

Como referi na primeira mensagem de hoje, regressei da minha viagem um tanto ou quanto abalado, física e moralmente. Fisicamente pois apanhei uma tremenda constipação, por ter vindo a conduzir quase sempre de vidro aberto tentando não adormecer ao volante, coisa que me acontece com alguma facilidade desde que fui operado e me removeram a vesícula. Ainda apanhei um susto ou dois, mas lá cheguei a casa com vida, que é o que importa. A constipação há-de curar-se com o tempo e não deixará quaisquer recordações. Outro tanto não posso dizer da parte da saúde mental. Recordar o passado pode ser muito doloroso e eu que me julgava já curado desse mal acabei por me ir abaixo das canetas. O encontro com velhos amigos e o reviver de histórias comuns, o desinteresse mostrado por outros e o insucesso relativo das minhas diligências deixou-me de rastos. Regressei a casa com o moral muito em baixo, não sentindo por isso grande apetência para me sentar em frente ao computador e entrar em contacto convosco. Acredito que com o tempo aprenderei a resistir melhor a este assalto descontrolado dos meus sentimentos.

Quem tem amigos não morre na cadeia!

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Não posso deixar de referir aqui a ajuda fantástica prestada pelo casal Jordão durante a minha deslocação a Almada e Barreiro. O meu intuito era encontrar-me com alguns antigos camaradas e ver se conseguia ajuda para ir procurando e identificando aqueles que ainda não me foi possível contactar. Além de me terem proporcionado toda a ajuda necessária nas deslocações e contactos que tive que realizar, acolheram-me também na sua casa e dispensaram-me um tratamento VIP que quero publicamente agradecer. Quando tecerem louvores ao trabalho que tenho feito para reunir os nossos camaradas da CF2, quero que saibam que não é só mérito meu, pois, como podem ver, há outras pessoas que generosamente têm também contribuido para tornar isso possível.

Ausência forçada

Nos últimos dias não tem havido mensagens. Tive que me ausentar e, embora tivesse possibilidades de escrever aqui qualquer coisinha, achei por bem não o fazer. Ás vezes uma pausa sabática faz bem. Já regressei anteontem, mas como vinha adoentado, física e moralmente, protelei o meu reaparecimento, até hoje. Creio bem que me desculparão esta longa ausência e a correspondente falta de contacto convosco.

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Relax total!

Acabada a guerra, para alguns seriam os derradeiros dias na Marinha de Guerra (?) Portuguesa, era altura de gozar o merecido descanso. A bordo do Infante ou em terras sul-africanas já não havia necessidade de nos manternos alerta e podíamos viajar em total relax. Foi assim que aconteceu e para vos provar isso mesmo nada melhor que esta série de fotografias que o Leiria me enviou do Canadá. Como se dizia à James Bond - «For your eyes only».
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Cape Town

Antes ainda de vos mostrar as fotos dos «turistas», a quem coube a sorte de visitar estas paragens, deixem-me mostrar-lhes algumas fotos de Cape Town. Da cidade propriamente dita, do porto de mar e, também, do famosíssimo Cabo que tanto medo infundia aos navegadores portugueses do século XV. Claro que dobrar aquele cabo a bordo do Infante ou numa nau quinhentista, igual à que está fundeada em Vila do Conde, é um tanto ou quanto diferente. Mas, agora, esqueçam-se disso e limitem-se a apreciar a beleza da cidade que tivemos o previlégio de conhecer, nos princípios do ano de 1965.
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terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Infante D. Henrique

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Podiam pensar que ia falar-vos do principe D. Henrique, filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, nome famoso ligado aos Descobrimentos Portugueses. Mas não, tudo que quero é mostrar-vos uma imagem do formidável paquete que, sabe-se lá por que insondáveis razões, foi escolhido para trazer de regresso a Lisboa a Companhia Nº 2 de Fuzileiros, no fim da sua comissão de serviço, em Moçambique.
Hoje, recebi do Leiria uma série de fotografias, a cores (coisa rara para aquela época), tiradas a bordo desse paquete, ou durante a viagem de regresso. Vou publicá-las de seguida, mas achei melhor começar com uma imagem desse luxuoso navio de passageiros, em que tivemos a honra e o prazer de passar 16 maravilhosos dias. Para além da deslumbrante viagem, tivemos ainda a sorte de poder visitar, de passagem, a cidade do Cabo e Luanda e ainda as Ilhas Canárias e a Madeira. Foi uma viagem de sonho que nos calhou em sorte como uma espécie de prémio de fim de comissão. Principalmente para o grupo que tinha acabado de regressar de Metangula, onde tinha passado quatro meses de completo isolamento, foi como saltar do inferno para o paraíso. Gratas recordações!

Floriano Fragata



Éramos grandes amigos, o Floriano e eu. Repartimos muitos momentos marcantes da nossa vida. Das poucas intervenções que a nossa Companhia fez na dita Guerra Colonial, coube-lhe a ele o único disparo causador de uma vítima mortal (conhecida).
Mas isso são outras histórias que um dia contarei. Esta entrada no blog serve apenas para publicar esta foto tirada no mais bonito jardim de Moçambique que eu conheço, o Vasco da Gama. E também para recordar ao Floriano, agora reformado como 1º Tenente e vivendo em Albufeira, sua terra natal, que aceitei a sua desculpa para não comparecer no nosso último encontro, mas não aceitarei que falte ao próximo.
Este terá lugar em Maio do próximo ano e todo o mundo tem que reservar já essa data, para não tomar outros compromissos.

O Cabo Santarém

Maluco até dizer chega!
Mas não tenho razão de queixa dele, quanto à relação superior/subordinado que éramos obrigados a manter. Como acontece com todas as pessoas "acelaradas", o que é preciso é saber lidar com elas. E fugir delas quando o vento não sopra de feição.
Há tempos atrás, o Alves enviou-me uma série de fotos em que pontuava a figura que podeis ver acima. Quando as recebi e observei, não reconheci, nesta imagem, o Carlos Alberto Cordeiro, o nosso «Cabo Santarém». Mais tarde, tendo inquirido do Alves se ele era capaz de identificar todas as pessoas que apareciam nessa foto, respondeu-me que todos menos este. Um destes dias, telefonou-me só para dizer que tinha estado a olhar de novo para aquelas fotografias e reconhecido toda a gente, inclusivé a figura do agora e aqui referido.
Como se devem lembrar este nosso camarada não regressou connosco a Lisboa. No fim da comissão, já lá tinha a família com ele, pediu a baixa, arranjou colocação na fábrica de cerveja 2M, no Vale do Infulene, e foi ao cais despedir-se de nós quando embarcámos no Infante D. Henrique.
Em conversa com alguns camaradas, durante os encontros recentes que tenho mantido, alguém me disse (não recordo quem) que ele também já faleceu. A Companhia Nº2 está a ficar cada vez mais reduzida.

domingo, 16 de Novembro de 2008

India - Afonso de Albuquerque

A. Rodrigues
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F. Emídeo
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A. Clímaco
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Embora já aqui tenham aparecido as fotos do Emídeo e do Clímaco, resolvi repetir a sua publicação para acompanhar o Rodrigues que, pelo que parece, foram todos membros da tripulação do famoso Afonso de Albuquerque, que em fins de 1961 foi obrigado a render-se à Marinha Indiana do Nehru. Não quero aqui relatar factos históricos, principalmente, porque me faltam os dados para o fazer. O que aqui justifica a foto do Rodrigues é a pequena história que me contaram e parece ser verídica. O Afonso Albuquerque, avariado depois de ter sido atingido por uma carga de artilharia e já com feridos a bordo, aproou à praia decidido a encalhar. Logo e conforme puderam todos foram abandonando o navio, nadando até à praia e indo ao encontro das tropas indianas que os esperavam de armas aperradas. O Rodrigues e o comandante ficaram sozinhos a bordo. O Comandante querendo louvar a valentia do seu subordinado, mas querendo ouvir da sua boca as razões que o levaram a ficar a bordo, fazendo-lhe companhia, perguntou-lhe - então porque não acompanhaste os teus camaradas? E o Rodrigues respondeu-lhe de imediato e sem hesitação - porque não sei nadar, Senhor Comandante.

sábado, 15 de Novembro de 2008

Impressionante!!!!



Lembro-me tão bem desta cara como se tivéssemos estado juntos a almoçar, hoje, no refeitório do nosso aquartelamento do Infulene/Machava. Mas não consigo precisar se ele era filho da nossa escola (Março de 1962). Eu diria que não, mas ao certo não sei.

E como sei que há uma série de visitantes frequentes deste blog (Verde, Jordão, Ladeira, Rosa da Silva, entre outros) que o podem reconhecer, mais uma vez me dirijo a eles para me ajudarem nesta tarefa. Quem é este camarada?

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Grande Mateus!

O Mateus e o Leiria

Não havia ninguém que não gostasse do Mateus. Fosse pela sua maneira de ser, pelo seu aspecto descuidado ou pelas piadas constantes com que enchia os nossos ouvidos, era uma daquelas pessoas que não passam despercebidas em lado nenhum. Eu era do norte e ele do Algarve, eu era branquinho e de olhos azuis, ele moreno e com olhos de beduíno norte-africano, mas davamo-nos muito bem. Fazíamos dupla no Campismo do Miramar, ao engate das bifas. Eu porque falava inglês e lhe servia de tradutor, ele porque era um destravado e sem-vergonha que não tinha o mínimo problema em iniciar uma conversa, fosse com quem fosse, conhecido ou completamente desconhecido. De piada fácil não havia nada que dissesse que não nos fizesse rir a bandeiras despregadas. Com os superiores era aquela máquina, respondia-lhes sempre com graça de forma a fazer desmanchar aquelas poses de fingida severidade que usavam para nos manter na disciplina. Muito descuidado com o uniforme era constantemente chamado á atenção pelos superiores mas não me lembro nunca que tenha sido castigado por isso. A imagem que guardo dele é a de um rapaz de fraca figura, mas de tronco poderoso, muito moreno e de pernas magrinhas a sair duns calções exageradamente largos, uma meia em cima e a outra em baixo e o panamá todo descaído para trás, na cabeça. Havia três coisas que fazia e o marcavam pela diferença. Primeira, andava sobre as mãos (fazendo o pino) tão bem como eu ando com os pés no chão. Segunda, de manhã partia para a casa de banho carregando a toalha e tudo o resto que lhe fazia falta para a higiene matinal, pendurada no membro viril, em erecção. Terceira, ao tomar banho, ensaboava e esfregava a pele dos testículos (escuros como os de um mouro) como se se tratasse de um farrapo velho.

Por estas e por outras, nunca esquecerei o meu amigo Mateus que também já partiu deste mundo. Onde quer que estejas Mateus, quero que saibas que és recordado com muita saudade. Acredito que um dia aí nos reuniremos todos para, em conjunto, soltarmos uma valente gargalhada e rirmos deste desprezível mundo que deixamos para trás.

P.S. - Ia-me esquecendo de dizer que recebi esta foto, hoje mesmo, do Leiria pois, por estranho que pareça, não tinha no meu álbum nenhuma fotografia dele. E esta é um espectáculo, tal como ele o era também.

Notícias do Canadá

Hoje recebi notícias do Canadá. Tanto do Agostinho Maduro como do Leiria. Ambos enviaram fotografias que a seu tempo publicarei aqui. Entretanto aproveito já para trazer aqui a primeira das que recebi do Leiria (foto de cima) acompanhada de outra que, há tempos, recebi do Alves (foto de baixo). E faço-o por uma razão muito simples - queria pedir ao Leiria que comente este post pondo um nome em cada rosto da sua fotografia. Eu muito sinceramente não recordo os nomes embora recorde algumas das caras. E há uma segunda razão que fez com que eu juntasse as duas fotos aqui. Gostava muito de saber o nome do camarada que aparece à direita, tanto numa como na outra foto. Ainda não tive oportunidade de perguntar ao Alves (ao centro na foto de baixo) de quem se trata, pois acredito que, sendo dele a fotografia, deve lembrar-se. O terceiro elemento dessa mesma foto (montado na motorizada) é o Agostinho Carvalhinho Seco (16485), entretanto já falecido.




quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Os meus tomates!

Tenho a certeza que houve muito boa gente que clicou nesta mensagem a pensar noutra coisa, ou não?


Charada

Este é o meu cão. Chama-se Rex e está a ver se sai dali algum coelho! Como o terreno das suas pesquisas é o meu quintal que não tem mais que 200 metros quadrados, não me acredito que consiga os seus intentos. Mas vai tentando sempre. Quem sabe um dia vai ver a sorte sorrir-lhe.
A imagem dele serve apenas para ilustrar aquela velha charada,
«Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão»
com que nos costumávamos divertir nos tempos de estudante, desafiando os que não a conheciam a explicar o significado da frase que, à primeira vista, não faz sentido nenhum. Como devem saber tudo depende da pontuação que ali falta e constitui um desafio para aqueles que se julgam bons na disciplina de «Português».

My hiding place!

De repente lembrei-me que talvez gostassem de saber "where I spend most of my time" (onde passo a maior parte do meu tempo, como diz o Rafael) e, como fotografias não me faltam, aqui está ele. O sótão da minha casa, onde instalei o meu computador e estableci a minha base de operações. A dois metros de distância está a cama, de onde salto todos os dias ás seis horas da manhã, para vir queimar as pestanas em frente ao monitor do computador. Passo aqui as primeiras quatro horas do dia e posso garantir-vos que há muitos desportos/hobbies/maneiras de passar o tempo bem piores que este este. O que é preciso é tirar prazer daquilo que se faz, o resto é música.














Olha o Marlon!!!!!!!

... oOo ...
Ontem não publiquei qualquer entrada pois fui trabalhar um pouco e ajudar um irmão que precisava de mim. No lugar aonde nos deslocamos para executar esse trabalho, mesmo em cima da fronteira do Lindoso, virei-me para o nordeste e tentei imaginar o que estaria o meu amigo Marlon a fazer naquele momento. Quando cheguei a casa e liguei o computador, fui medir a distância, usando o Google Earth, a que tinha estado do meu amigo que não vejo há tantos anos. Como podem ver pela imagem acima, tracei uma linha entre as nossas posições relativas e obtive uma medição, em linha recta, de 90.180 metros.
Se estivesse sozinho e livre de compromissos meter-me-ia a caminho de imediato e, no espaço de uma hora, estaria a dar-lhe um abraço. Garantido.

A Marcha do Tempo - O Puto

Palavras para quê? As imagens falam por si e não vale a pena estar a gastar o meu latim para vos explicar aquilo que o tempo nos faz. Mas, como diz o povo, haja saúde que isso é o que interessa e é, também, aquilo que eu desejo ao nosso camarada António Ascenso que vive lá para os lados da Nazaré.



segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Recordações de Lourenço Marques

Para todos aqueles que gostam de Moçambique, que por lá passaram, que lá viveram ou vivem ainda. E com um abraço de amizade para o Oliveira, o Alvaro e o Taborda também por me ajudarem a coligir os elementos necessários a este trabalho.
... oOo ...
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Fado Ilustrado

Como vão poder ver no clip que segue, algumas das imagens não têm um mínimo de qualidade. Mas nada melhor que isto é possível enquanto não conseguir que todos me remetam uma fotografia como deve ser. Continuo a tentar e a aguardar.
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Bom dia Jordão

O nosso camarada que está ao centro desta foto não pode ser o Emídeo. Se reparares bem na foto abaixo, onde o Emídeo aparece na fila de baixo, à esquerda, vais concordar comigo. As fotografias foram tiradas na mesma altura, possivelmente no mesmo dia (durante a festa das costureirinhas) e só pela altura da testa, já dá para ver que são duas pessoas diferentes. Além do mais, o Emídeo já era marinheiro nesta altura e, na foto de cima, não vês nenhuma divisa no braço do filho da escola em questão. Estuda melhor o assunto a ver se descobres quem é.




domingo, 9 de Novembro de 2008

O Nome «Rodrigues»

Dizem que em Portugal o nome mais comum é «Silva». Se calhar é e, por acaso, também é o meu! Na CF2 nunca houve, que eu saiba, grande confusão com os nomes, pelo menos com os «Silvas». A confusão começou quando eu me enfronhei na organização do nosso 1º encontro. Os dados eram poucos e, a páginas tantas, andava ás voltas com 3 Rodrigues, sem saber muito bem quem era quem. A dada altura já eu tinha identificado esses três, atribuindo a cada um o seu número de matrícula na Marinha, que é a maneira mais correcta para evitar erros. Para mim estava o assunto solucionado, mas nisto aparece-me o Francisco Jordão a falar no «Cabo Rodrigues», seu chefe de mesa, e envia-me mesmo uma fotografia, em que ele aparece sentado á mesa do refeitório. Como não havia mais Rodrigues na lista fiquei sem saber o que fazer e esqueci o assunto. Hoje, de manhãzinha, pus-me a conferir uns documentos que o Rafael me trouxe do Arquivo Histórico da Marinha e encontrei a notícia do destacamento do Cabo Rodrigues (então ainda marinheiro) para a Cf2 em Lourenço Marques. Telefonei ao Jordão, dei-lhe a notícia de que finalmento tínhamos os Rodrigues todos identificados, e agora repito aqui a publicação da fotografia, atrás referida, para que todos saibam de quem estou a falar. E, já agora, referir que dos 4 Rodrigues aqui mencionados, o 12340, o 15986, o 16540 e o 16718, só o segundo destes quatro esteve no nosso convívio de 13 de setembro.

Na Marinha antiguidade é um posto!

Digo isto porque é verdade, mas também porque não me lembrei de outra coisa para titular esta mensagem. Estes três rapazes (?) que vêem na foto eram mais antigos que a maioria dos grumetes da companhia e desempenhavam funções de chefia. Trago aqui esta foto porque houve uma série de dúvidas na identificação de todos eles e quero esclarecer, de vez, todas as dúvidas que ainda restarem. O 1º da esquerda é o António Rodrigues (15986) cuja foto actual podem ver abaixo. O2º, ao centro, é o Manuel Marciano (15990) cuja foto actual podem ver também abaixo. O 3º, á direita, é o António Chaveiro (16102) que infelizmente já partiu deste vale de lágrimas e não posso por isso mostrar-vos na actualidade.

A. Rodrigues

Manuel Marciano



sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

A cor azul

A cor azul destes olhos faz-me lembrar o azul das águas do índico e os golfinhos a abrir caminho na proa da fragata em que navegávamos a caminho da Ilha de Moçambique. Poucas vezes fizemos estas viagens, mas recordo-as com imensa saudade. Há os que detestam o mar e navegar é, para eles, um castigo e há aqueles que,como eu, davam tudo por uns dias a bordo. Cada vez que recebíamos a notícia de que íamos embarcar, era para mim um delírio e 15 dias garantidos de férias. Embora tivéssemos que dormir no chão, desenrolando o famoso chouriço e estendendo-o em qualquer lugar onde ele coubesse, aquilo era, para mim, como passar 15 dias no Hawai. E passava horas esquecidas, sentado na proa do navio, vendo os golfinhos a rasgar as ondas. É claro que ás vezes também havia borrasca, mas quem é que se lembra disso?

Mais vale assim que nada!


É uma pena esta fotografia estar tão esbatida! Quase se não conhecem as caras da malta! Mesmo assim é melhor que nenhuma. Vêem-se nela alguns camaradas da nossa companhia que ainda não tinha visto em nenhuma outra. Logo em primeiro lugar, açambarcando a atenção geral, o Tenente Abecassis. E muitos outros que se podem ver, por trás dele e que eu não vou identificar para vos não privar desse prazer. Ampliar a foto e procurar caras conhecidas é um desporto tão bom como qualquer outro. Há dias fiz isso com o Rafael e obriguei-o a descobrir cerca de 20 filhos da escola, onde ele dizia que não havia nenhum. Façam vocês agora o mesmo exercício.

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

O Marinheiro Manobra

Quando se formou a 2ª companhia de fuzileiros, para seguir para Moçambique, foram escolhidas praças de muitas especialidades diferentes, de modo a cobrir todas as eventualidades e necessidades da companhia. Ele era artilheiros, ele era telegrafistas ele era sinaleiros, havia de tudo e para todos os gostos. Até havia um marinheiro manobra! Que raio de manobras iria ele ajudar a realizar numa companhia de fuzileiros, destinada a ficar em terra durante dois anos? Ninguém saberá com toda a certeza responder a esta pergunta, mas o facto é que destacaram o marinheiro manobra Joaquim Gomes, para seguir connosco na companhia e assim aconteceu, tendo passado connosco aqueles dois anos e picos, em Lourenço Marques. Há dias, soube que ele estava num lar para idosos, em Runa, Torres Vedras. Pedi ao Jordão que o fosse visitar, para termos notícias dele. Afinal veio a descobrir-se que já não estava no tal lar e morava agora no Barreiro. Foi visitá-lo e convidou-o para um almoço, em data a combinar. Esse almoço aconteceu hoje e teve também a presença do Elvas, como podem ver na foto que se apressaram em remeter-me. Com as limitações próprias da sua já respeitável idade, aproveitaram para conviver e recordar os velhos tempos. Percorreram páginas de velhos álbuns com fotografias daqueles tempos que eu um dia espero poder vir a publicar, neste blog. Por agora deixo-vos com a imagem do nosso «manobra» que está com óptimo aspecto, como podeis ver.

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Manel Merciano


Queimei as pestanas a tentar descobrir quem era este camarada que aparece na foto. E afinal era tão fácil! Hoje enviei um mail ao Rosa da Silva e depois telefonei-lhe a pedir ajuda sobre várias coisas. Ao ver esta foto disse-me logo que se tratava do Manel Merciano, com o que eu concordo em absoluto. Aliás tenho outras fotos dele, noutras posições que o comprovam. Menos uma no rol das não identificadas.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Hoje é dia de S.Nuno

Hoje, dia 3 de novembro de 2008, consegui finalmente chegar à fala com o meu amigo Nuno. Era assim que eu o tratava, enquanto juntos convivemos, tanto em Lourenço Marques como em Metangula. A maior parte dos filhos da escola tratavam-no por Marlon. O seu verdadeiro nome ninguém conhecia, nem interessava muito, pois em tudo que era chamada só constava como 16581. Esta foi a minha primeira grande dificuldade quando comecei à sua procura. Procurei todos os Nunos que havia na lista que recebi do Amável, eram apenas dois, e nenhum correspondia ao número que eu tinha quase a certeza que seria (na nova numeração da 11ª série) entre o 8218 e o 8222. É que nem o número antigo dele aparecia em lado nenhum. Só mais tarde, com a lista da CF2 em meu poder e por exclusão de partes, vim a saber que era o número 8220 e correspondia, portanto, a um certo João Manuel Azevedo, nome que me soava estranhíssimo aplicado ao meu amigo «Nuno».
Não vale a pena alongar-me sobre esses preliminares, pois acho que já aqui foram suficientemente relatados. O que interessa é que depois das últimas peripécias aqui relatadas, sobre o modo como descobri que estava em Espanha e não em França, consegui o seu número de telefone, tentei repetidamente entrar em contacto com ele, mas sem sucesso. Iniciei, então, mais uma tremenda luta para conseguir arranjar o seu endereço, através de familiares, o que por fim consegui. Escrevi-lhe uma carta em que incluí algumas fotografias para ter a certeza que saberia com quem estava a lidar. Pedia-lhe para me contactar através do telefone ou internet, dando-lhe todos os meus contactos. Hoje, depois do almoço, tocou o telefone. Infelizmente não havia ninguém em casa para atender a chamada. Mas quando cheguei e fui verificar se havia chamadas não atendidas, lá estava o número dele a piscar no meu telefone. Foi só o tempo de premir a tecla para chamar aquele número e logo me atende a sua esposa, D. Aurea. Daqui para a frente é fácil perceber como correu a conversa, nem vale a pena estar aqui a relatá-la. Quarenta e três anos de saudades tratadas num telefonema de 16 minutos e trinta segundos!
Ficou muito contente com o meu contacto e extremamente sensibilizado com o esforço que fiz para encontrá-lo. E combinamos encontrar-nos um dia destes, lá em sua casa. Depois vos contarei mais coisas sobre isto e conto arranjar algumas fotografias para vos mostrar.

Algumas fotos mais

Tantas fotografias já publiquei que não tenho mais a certeza se estou a repetir-me. Se isso acontecer acho que ninguém vai zangar-se comigo por tão pouco. Não esperava ver o nosso marinheiro clarim, que mal conseguia bufar no bocal do seu instrumento, equipado a rigor para jogar basketball. Mas a prova é irrefutável e aqui fica para quem, como eu, não acreditava que isso fosse possível.


As fotos do Valter, Barbosa e Silveira que, até hoje, tinha conseguido não mostravam as imagens com tanta clareza como esta. Bendito Elvas que sacou dos seus álbuns e ripou estas cá para fora para eu ter matéria suficiente para ir publicando. Além do dono da foto que se nota pela sua altura, também os 3 outros referidos nos honraram com a sua presença no convívio de setembro passado. Espero voltar a vê-los, a todos, no próximo também.



Bonita foto esta, em que aparecem uns quantos que ainda não consegui descobrir por onde andam, ou tendo-o descoberto não consegui que se tivessem reunido connosco. Da fila em pé compareceram apenas o Veiga e o Verde. Da fila que está de cócoras apareceram o Elvas, o Ramiro e o Lopes. Nesta fila ainda não consegui identificar o primeiro da esquerda, aquela que está encostado ás pernas do Estorninho.


domingo, 2 de Novembro de 2008

Confusões e outras situações

Tenho perdido horas a tentar organizar um ficheiro com uma foto por cada filho da minha escola que esteve comigo na CF2 em Moçambique. Não é tarefa fácil, posso dizer-vos. Pedi a todos, durante o encontro, que me enviassem uma foto tipo passe e de farda, mas só 3 ou 4 o fizeram. Resta-me o processo de ir recortando as fotografias de grupos que tenho comigo e onde encontro algumas das caras que me faltam. O resultado não é brilhante, mas é melhor que nada.
Dessa maneira consegui as quatro imagens que podem ver abaixo e cuja identificação, publicada em posts anteriores, não estava correcta. Passo a corrigi-la, de seguida.


Assim o homem do panamá, aqui por cima, não é o Fernando Brandão. E também não vos posso dizer quem seja. Sei que acompanhava muito com o Garcia e deve, portanto, ter número muito próximo ou ser seu filho da terra. Mas são meras suposições.



O Fernando Brandão é este que aqui aparece em cabelo, de corpete, sempre na estica como ele gostava de andar. Vizinho do Garcia também, no número e na procedência, talvez conheça o outro, mas não me lembrei de lho perguntar durante o encontro. Nem ele reparou que, no slide-show que apresentei na Quinta do Moinho, estava a passar a foto de outrem com o seu nome.


E aqui temos o amigo Sabugal que, por ter que ir aos Açores (disse ele) não pôde ir ao nosso encontro em Alvados. Como vêem a foto é um desastre, mas não tenho melhor e tive que a ampliar imenso para que se reconheça. Até que arrange uma melhor aqui fica.


E esta que ainda está pior que a anterior mostra-nos o Barbeiro (16582) e não o Sabugal, como também erradamente passou no slide-show. A este, possivelmente, nunca vamos apanhá-lo em qualquer dos encontros que vamos realizar. E isto por várias razões. Primeiro a saúde que não ajuda nada, pois anda de muletas, já fez várias operações a uma perna o que terá que repetir em breve. Depois porque mora em cascos de rolha, lá para o interior norte, onde Cristo perdeu as botas. E em último porque a motivação não é muita, pelo que me pude aperceber quando o visitei.
Eu vou fazer os possíveis por andar sempre com uma lista das moradas de toda a gente e quando passar perto da terra de cada um, prometo que os vou visitar e saber notícias. E depois aqui as deixarei para todos.

sábado, 1 de Novembro de 2008

Dia dos Fieis Defuntos

Sendo hoje o dia dos Fieis Defuntos, quero aqui lembrar aqueles filhos da escola que, infelizmente, já deixaram a nossa companhia. Quero evocar, de modo muito especial, a memória dos segintes filhos da nossa escola, falecidos em combate durante a Guerra Colonial:
16607 - Libânio Amorim
16620 - Manuel Baltazar Ribeiro
16635 - Miguel Silva
16788 - Alberto Fernandes
16839 - Vitorino Campino
16878 - José Reis
E também recordar com saudade os outros 25 filhos da escola ( de que temos conhecimento), entretanto também falecidos ao logo dos últimos 40 anos e que não tivemos oportunidade de reencontrar em vida. Mantê-los-emos vivos, para sempre, na nossa memória.

Filhos criados, trabalhos dobrados

Ontem estive fora de casa todo o dia. Fui dar uma volta até Mirandela e Bragança (em serviço, claro) e não tive tempo para o blog. Para além disso e com a criação do «Vale de Zebro / Escola de Fuzileiros» tenho que dividir o meu tempo em dois e algum dos blogs ficará, por certo, a perder. Mas não há crise, uma coisinha aqui e outra ali acabará sempre por aparecer, para manter isto activo. Esta é a primeira mensagem do mês de novembro e estou certo que, depois desta, muitas outras virão.